Arquitetura

O PTTA da ANSP é constituído por uma switch-router (chave roteadora) virtual configurada dentro da matriz de peering (switch-router real, destinada à troca de tráfego) do NAP do Brasil. Essa matriz é o principal PTT (Ponto de Troca de Tráfego) privado do país, ao qual estão conectadas as principais redes brasileiras, inclusive as das maiores operadoras nacionais e internacionais de telecomunicações. Como adiantado na sessão sobre a topologia da rede, o PTTA trabalha com o protocolo BGP e, não fosse ele um subprotocolo do TCP/IP, poderíamos classificar a ANSP como uma rede BGP em vez de uma rede IP. O PTTA é o centro lógico da ANSP e nele acontece tudo o que é determinante na rede.

O uso de switch-routers virtuais é previsto no protocolo BGP e, embora pouco utilizado no mundo, é um recurso de fácil implementação e resultados surpreendentes. A ANSP passou a utilizá-lo em 2005. Sua construção é feita totalmente por manipulação das propriedades do protocolo BGP, não sendo necessário qualquer recurso extra (tanto de software como hardware) da matriz de peering utilizada. Começa-se por definir todas as redes participantes como redes autônomas (AS – Autonomous System, no jargão do BGP) e a cada uma delas é atribuído um endereço (ASN – Autonomous System Number). O BGP prevê a utilização de ASN's públicos e privados. Redes mantidas por empresas de telecomunicações e provedores de Internet têm ASN's públicos próprios. Redes acadêmicas grandes, como RNP, ANSP, USP e Unesp, também. As redes das instituições conectadas à ANSP que não possuem ASN's públicos, recebem desta ASN's privados.

Para montar a switch-router virtual, define-se uma rota padrão para o exterior e cada participante anuncia o seu ASN apenas para os seus pares da ANSP, e para o restante da matriz de peering anuncia o ASN público da ANSP. Desse modo, o tráfego interno fica isolado do externo pelo ASN da ANSP. O resultado é que os participantes da ANSP trocam tráfego entre si sem interferência das redes externas à ANSP, como se estivessem ligados a um roteador e trocam tráfego com as redes externas como se estivessem ligados a um gateway. E o fazem de maneira independente!

O mesmo se aplica ao relacionamento da ANSP com a Internet comercial e com as redes acadêmicas brasileira e estrangeiras. Toda a troca de tráfego é feita por BGP. Portanto, talvez a melhor definição para a ANSP hoje fosse classificá-la não como rede, mas como um Ponto de Troca de Tráfego Distribuído!

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